quinta-feira, 9 de maio de 2013

À exactamente um ano, vivia a experiência mais dolorosa da minha (nossa) vida. Do nada, um dos meus irmãos foi parar ao hospital, e 14 dias e 4 cirurgias depois, ouvimos dos médicos as segundas piores palavras que esperamos: 'Falhou tudo, têm de se preparar para o pior, porque não há mais nada que possamos fazer'.
Não foi exagero. Eu estava naquela sala, ouvi tudo, mas a minha mente pura e simplesmente recusava-se a assimilar a informação. Era o meu irmão. Como, mas como é que o meu irmão podia estar a morrer? A morrer???? Mas como??? 
Não há palavras que possam descrever o que se sente ao passar por uma experiência dessas. Não há nada que consiga descrever a angústia, o desespero e o sofrimento de vermos a nossa família despedaçada. Ver os nossos pais a temer a morte de um filho.
Não sei como descrever o sentimento que é ir buscar um irmão ao aeroporto, para vir assistir à morte de outro, no dia em que este, ligado a tantas mas tantas máquinas, fazia anos. Só sei os dias que passaram, porque não me esqueço das datas, e posso contar os dias no calendário. Se por um lado tudo está extremamente claro, e me consigo lembrar de tantos detalhes, por outro, é como se fosse uma outra realidade, como se não tivesse efectivamente acontecido, e fosse um acontecimento imaginário.
Contra todos os prognósticos o meu irmão sobreviveu. Foi a maior bênção que recebemos nas nossas vidas, e não há nada, mas NADA no mundo mais valioso do que estarmos todos vivos.
Aprendi muitas coisas nos três meses em que a minha vida era casa-trabalho-hospital. Uma delas foi que é mesmo importante ter o ombro dos amigos. Outra é que é só o ombro dos amigos mesmo que interessa, e ganhei (ainda mais) ódio a sanguessugas movidas pela curiosidade mórbida, tão tipicamente portuguesa. Aprendi também que no fim de contas, não há nada, mas NADA, que pague a nossa saúde, e a dos que queremos bem. Aprendi a ter uma gratidão daqui até à lua pelos profissionais de saúde - não quis saber se houve negligência, como se diz, porque foram eles que salvaram o meu irmão, e o resto são peanuts, e estou-lhes eternamente grata. Aprendi  que não há mesmo nada melhor do que a família. 
E descobri que sou fraca. Porque consigo lidar com a minha dor, mas não consigo aguentar a dos outros. Agradeci todos os dias por não viver perto dos meus pais e irmãos, porque teria sido muitíssimo mais difícil de suportar, se, além de mim, os visse a chorar a eles todos.

Por isso sou mesmo muito feliz, quando este Maio a minha maior preocupação é se o Benfica ganha o campeonato e a Taça Uefa. E a minha maior dúvida é qual o bolo que lhe vou fazer para dia 13... 

(Chocolate? Toda a gente gosta de um bom bolo de chocolate!...) 

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